Caros leitores,
esse post com certeza vai ser o mais longo de todos até agora. Hoje é o mais difícil de todos sem dúvida alguma, não só por ter acontecido muitas coisas, mas pela variedade realmente muito grande de acontecimentos. Mas lá vou eu tentar. Vou contar pela ordem cronológica.
Primeiro o sonho.
Eu tenho sonhado muito aqui, muito e profundamente. Tão profundo que nem parece sonho. O de hoje, ufa, não foi pesadelo. Foi estranho mas não foi pesadelo, então eu acordei bem mais leve do que ontem. Acordei bem mais cedo também.
Durante o café da manhã já era possível perceber que as ondas tinham crescido. Enquanto digeria o café fiz uma reunião com Edu sobre a pauta do documentário e agora posso dizer com certeza que já tenho o tema bem definido, o que facilita bastante o decorrer do trabalho. Não vou dizer aqui por que não acho interessante que todo mundo saiba, pelomenos por enquanto. O que interessa é que eu to bem feliz com esse passo.
Um barco grande ancorou aqui na frente trazendo vários australianos, o que não é interessante para nós porque isso, somado com a gente, forma um crowd. E justamante agora que as ondas entraram.
O barco com Paulé, Nardelli, Borghi, Joyce e os tres novos guests partiu em direção as esquerdas de Bagas. Aliás, os tres novos guests realmente são muito gente boa (e não digo isso porque eles vão ler o blog, mas porque eles provaram ter realmente o espirito do surf, com bom humor inclusive nas horas difíceis. E olha que já tiveram momentos difíceis). Eu, Adriano, Mario, Martin e Edu, resolvemos ficar para surfar aqui em Pasti.
Olhando o mar pelo binóculo enquanto esperva o melhor momento pra entrar, vi o Adriano pegar um belo tubo sozinho em Lombag. A essa altura o crowd já enchia Pasti e eu não pensei duas vezes.....fui fazer companhia pro Adriano.
Entrando no mar vi ele pegando mais dois na mesma onda! Tava bom mesmo. Cheguei lá e fui muito bem recebido com um sorriso de orelha a orelha, claro! Surfamos lá sozinhos por uma hora e meia pegando uma atraz da outra. Tive um bom momento dropando uma bomba e colocando pra dentro, andei bastante dentro e fui engolido por ele no fim, não saí, mas arranquei gritos do Martin que via tudo de Pasti.
Particularmente estou me sentindo muito bem com bastante confiança. Parece que eu reencontrei um Daniel que eu não via a muito tempo. A prancha está respondendo muito bem as minhas necessidades, a remada vai melhorando a cada dia e acho que eu peguei a manha da linha da onda para tubo. Espero que venham muitos ainda pela frente.
O vento virou e eu e o Adriano remamos para Pasti para pegar umas ondas mais longas, já que Lobang é só o tubo. Lá tinham sobrado apenas dois gringos, eu cheguei comprimentando e o que surfava melhor empinou o nariz. Eu que já não estava lá muito feliz com a idéia de surfar com crowd já taxei ele de folgado.
Depois de surfar ficamos aqui no Kisorte tirando fotos do Tupai, agora no côco, esperando o almoço e a hora de surfar denovo.
Enquanto isso o Mario tentava resolver problemas relacionados a próxima leva dos matimentos, que deu problema e não aconteceu. Estaremos, por enquanto, a base de peixe e o que resta de arroz e feijão na dispensa, além claro, da cerveja que tem de sobra. Sorte que outro peixe-dinossáuro foi pescado e tazido agora durante o dia (não, não foi pescado pelo Adriano!).
O barco ainda não chegou. Nada de mais, afinal era visível que tinham altas ondas lá em Bagas.
O vento Parou, o crowd saíu e as ondas cresceram mais ainda. Altos tubos rolando aqui na frente. Bora pra água!
Resolvemos botar as pranchas maiores na água, eu peguei minha 6'6 e comecei a prepará-la. Põe quilha, passa parafina, põe lash, etc. O Mario já tinha envovido seu pé machucado com silver tape quando ele olha pro mar e fica sério.
" Deu merda. O barquinho dos gringos está muito cheio, parece a nossa galera junto. Fudeu, afudou o barco!"
Não deu outra. Eles estavam surfando quando o mar cresceu considerávelmente e entrou uma série que virou o barco e o mandou direto pro fundo!
O Ama Wita, que pilotava o barco e no momento os esperava ancorado, não sabe nadar e a Joyce também estava a bordo e não é surfista, não tem tanta intimidade com o mar, principalmente com as ondas que quebravam . Desesperados o Paulé os resgatou e com a ajuda dos guests e do nardelli salvaram o assustado nativo enquanto borghi auxiliava sua namorada, deixando a deriva o equipamento que é sua fonte de renda. Sorte que o case (Pelicam) que estava a máquina e as lentes cumpriu seu papel e não deixou entrar água. O equipo foi resgatado por um dos guests.
Todos chegaram muito assustados em terra contando o que tinha acontecido e concluindo: Tem que resgatar o barco!
Lá fomos nós resgata-lo.
Eu não tinha nem idéia como íamos fazer essa missão, mas fui escalado e fui junto munido de pé de pato e masara de mergulho. Nadamos até a lancha dos gringos que foram nos ajudar na missão. Quem estava lá? O gringo folgado.
Fomos até o pico procurar o barco que já tinha emergido de ponta cabeça, o que facilitou a localização. Fomos pra água e o amarramos na lancha para levá-lo pra lonje de qualquer possibilidade de sermos surpreendidos por alguma série perdida, que nesse momento já alcançava os seus 8 pés (diga-se de passagem lindas ondas quebravam nesse momento sozinhas e azuis, abrindo demais, quilométricas).
Uma vez a salvo começamos a operação motor. O motor do barco é de 40 HP's, não é o mais pesado mas também não é propriamente leve. O amarramos a uma corda e o puxamos pra dentro da lancha. Até aí tranquilo, mas como iríamos rebocar o casco? Surgiu então a idéia, que até agora não sei de quem foi. Amarramos o casco a lancha, o viramos de cabeça pra cima e puxamos, assim a água sai, pelomenos uma boa parte, de dentro do casco e ele pode boiar. Sucesso. Com o Mario se equilibrando no casco inundado puxamos e mais da metade saíu pela parte de tráz. O resto era só tirar no baldinho.
Enquanto o Mario e o Nagas ficaram nessa função fomos até a praia para resgatar o Edu e o Adriano que tinham nadado até lá atras do tanque de gasolina. Os resgatamos e voltamos são e salvos aqui pra frente. A operação foi um sucesso!!
Alguns detalhes: O gringo folgado se mostrou importantíssimo pra missão e mais impressionante, ele foi gente fina pra caramba. Ele é o capitão do barco e voltamos brindando com bintangs geladas que brotavam da geladeira da lancha.
Outro detalhe foi o cenário do resgate. A água lá na ilha que abriga Bagas é incrivelmente clara e através dos óculos de mergulho era possível ver uma variedede de peixes e corias de todas as cores, formas e tamanhos que deixaria qualquer mergulhador hipinotizado. A praia onde o Adriano e o Edu nos esperaravam parece que é maravilhosa também. Os cenários aqui são incríves.
O clima aqui no SV tinha tudo pra se tornal hostil. Com os nervos a flor da pele, quem viveu o acidente e quem foi fazer o resgate tinham visões bem diferentes do assunto e uma faísca podia provocar um incendio, mas isso não aconteceu.
O Mario ficou consertando o motor amarrado ao barco dos gringos e eu fui direto surfar. Não que eu tivesse qualquer problema com quem estava no barco na hora do acidente, muito pelo contrário, mas eu não queria ficar ali assistindo e ouvindo pontos de vista. Mais forte que isso era a minha fissura de me jogar nas bombas que a essa altura quebravam sozinhas aqui em Pasti. Peguei minha 6'6, já prontinha, e fui.
A prancha foi um fracasso, não me dei bem com ela. Claro que o problema provavelmente é a pecinha que fica em cima dela, eu, mas o fato é que eu to com muito mais confiança na minha 6'3 que tem muito mais borda, o que facilita muito a minha entrada na onda. Depois de tres vacas finalmente consegui pegar uma para ir trocar o equipamento. A essa altura já havia um certo crowd na água, mas só de amigos.
Troquei a prancha e voltei pra água. Enquanto esperava uma série o Mario passou com o barco acelerando. Além do casco intacto ele havia consertado o motor....incrível!
O problema que me incomodava agora era a forte correnteza que empurrava para fora do pico, nos obrigando a se manter remando sem parar, minando o folego e atrapalhando a performance na hora de remar para entrar na onda. Nessa hora o drop estava bem difícil, cavadíssimo, fazendo dessa remada de explosão um artifício primordial. Mesmo assim consegui salvar umas boas ondas até o meu braço acabar completamente.
Nessa hora o Mario entrou no mar para desfrutar, finalmente, do fim de tarde. O drop tava cada vez mais sinistro e quando só estava eu e ele no mar eu presenciei uma aula de tubo do Oráculo. Depois de completar um drop impossível, já dentro do tubo, ele passou a sessão e, com o corpo reto, botou pra dentro na segunda sessão (também conhecida como segundá) com estilo, sumindo e reaparecendo para completar o segundo canudo na mesma onda. Realmente esses quatro anos pegando esses tubos fizeam o moleque realmente dominar a arte de entubar, foi praticamente uma aula particular. Tive que tirar o chapéu!
Fiquei muito feliz com o que eu vi na hora do jantar. Não só o arroz e feijão com uma farofa brasileira, mas o clima era realmente muito bom. Todos contando seus perrengues e uns entendendo os pontos de vista dos outros com bastante bom humor, o que costuma ser característico aqui do Kisorte.
Depois de muitas lições aprendidas vamos esperar dar meia noite para comemorar o aniversário do Adriano e meu. Falta meia hora aqui e nove horas e meia no Brasil, essa vai ser o niver mais longo de todos, um aniversário de 34 horas, já que enquanto é meu aniversário pra mim e pros meus pais, é aniversário!
Provavelmente devo ter esquecido algum detalhe, mas acho que ninguém tem mais paciência pra continuar lendo este longo relato e tenho que começar as comemorações.
Quando o dia nascer vão ter altas ondas.
Como a vida é boa!

AHahahah o peixe e maior que o nanico.
ResponderExcluirParabens filhote. 29 puxões de orelha. To escrevendo da estrada, qdo chegar posto alguns comentários sobre o seu dia ai.
ResponderExcluirEste é só pra aproveitar o momento pra te mandar um puta beijo de feliz aniversário. E aproveita pra dar um abração no Adriano também. Juizo (siso) aos dois.
E.T. Não estou indo pra Maresias não, vou passar o feriado na casa de um amigo.
Porra barjinhas, que roubada essa com o barco, mas sao essas roubadas que tornam a viagem alucinante e inesquecivel.
ResponderExcluirQue bom que ta gostando da prancha, falou bem dela aqui no post, heheh aproveita... ahhhhh (a prancha as vezes faz 50% do serviço).
Parabens, muitas felicidades pra voce e pro Adrianinho,muitas bintangs ai pra comemorar!!!!
quebrem tudo!!!
dia 11 to chegando em Bali, se for pra la ja sabe, avisa!
nos vemos!
aaeeeeeeeeeeeeeeeee filhão!!!!!!! Parabéns ! Feliz aniversário meu amorzão! A saudade que tá grande se mistura com a alegria de ver tão
ResponderExcluirfeliz nesse paraíso... Desfrute desse seu ano novo que começa hoje, que o universo te abençoe e te proteja te inundando de alegria e paz na mente e no coração. Obrigada por me ter escolhido pra ser tua mãe!
Amor e carinho,
Mamy.
Vicino !!!!!! Muitas felicidades !!! Que vc comemore e registre todos os momentos deste seu niver !!! AUGURI !!!!
ResponderExcluirEstou adorando o blog , feliz em saber que tenho um vicino talentoso alem das lentes !!! Vc escreve muito bem !!!
Estou com seu pai passando o final de semana na casa de um amigo !!
Bacio in cuore
Dani, feliz aniversário!!! Que a vida continue sendo boa como no post em que tudo que parece deu errado acaba dando certo, e que você seja cercado de boas energias como no surf village que já vem com o nome Ki-Sorte.
ResponderExcluirAbração!!!
Felicidades ae my brother!!!
ResponderExcluirMta estória boa!!!
Isso é realmente o mais tesão da vida!!!
É uma alegria enorme saber que vcs tão nessa experiência sensacional!!!
Grande abraço!
APLAUSOS!
Caraaaaio Barjeto....q aventura meu irmão...
ResponderExcluirsaude e paz pra vc meio atrazado...grande abraço
Cabelo