domingo, 13 de junho de 2010

Mais tres dias se passaram. E como passaram....

Depois desse dias das bombas eu me recuperei e surfei o fim do swell. Tubos perfeitos quebraram e eu tirei o meu mais longo da trip que foi filmado e fotografado!!! Uhuuu!!

Tentamos assistir o primeiro jogo do mundial, mas sem sucesso! Estavamos felizes assistindo os times entrando em campo quando a IndoTV cortou a programacao....tem que pagar!!! Depois de muitas ligacoes soubemos que a tv aberta ia passar e la fomos nos invadir a casa do Nagas. Saimos com as lanternas e atravessamos o matagal de noite e chegamos na moradia do Nagadens. Nao passou. Voltamos pro surfing village e a internet tinha caido. Uma pena, o maximo que conseguimos achar foi um canal que tinha uma camera ao vivo virada de costas pro telao do Soweto mostrando a reacao da torcida....Tivemos que assistir um filme. Rockenrola!

Depois, de alma lavada, dormi como uma pedra durante a noite, feliz e satisfeito com o surf.

O dia seguinte amanheceu sem onda com um baita sol. Acordamos cedo para nos despedir das mamas e do Mario senior que voltaram para o Brasil. Triste se despedir, mas ficou o combinado de voltarmos todos juntos no ano que vem e, quem sabe, fazer disso uma rotina anual. Seria lindo!

Fiquei muito feliz em conhecer a Kika, mae do Paule e do Nardelli, que e uma figurassa. Com seu bom humor e energia contagiante tirou muitas risadas de todos nos. So podia ser mae desses dois que nao perdem a oportunidade de arrancar sorrisos e risadas de todos.

Mario e Cris tambem me encantaram com otimas conversas e muito em comum. Da pra entender como o Mariozinho se tornou esse cara especial que agente conhece e adimira.

O documentario ganhou um poco de trilha sonora. Ama Wita cantou e tocou violao no mais roots dos estilos indonesianos. Baita filmagem!

O dia foi passando e se apresentando como um dia de papo pro ar. Edu e Pedrinho travaram uma batalha de xadrez enquanto eu e o Adri medimos forcas num partidasso de dardos. Depois eu e o Adriano fomos tentar dar uma volta de canoa, mas a mare seca no impediu por deixar a embarcacao sem agua nenhuma por baixo. Carrega-la ate fora dos reefs e impossivel.

O Adriando surpreendeu na cozinha e fez um rango de responsa com arroz, peixe e batata frita, o que arrancou risos das ajudantes da cozinha que nunca viram as famosas french fries. Eu e o Du nos preparavamos para abrir o projeto no final cut e comecar a organizar o material ja captado e o pedrinho, preocupado com seus pontos da perna, planejava uma viajem ate sumatra para ter uma opiniao medica de um profissonal no hospital da capital.

Derrepante uma noticia acarretou em uma mudanca drastica no nosso dia e na nossa viajem: O Printis esta aqui e vai sair hoje as 17h!

O Printis e um navio cargueiro que passa de vez em quando por Sigolon Golon, um vilarejo que fica na mesma ilha de pasti que e virado pro mar aberto, e por isso tem um porto onde chegam carregamentos de cigarro pro povo local que fuma dsesperadamente, e leva milhares de cocos, bananas e outras coisas.

O Edu tinha machucado uma costela e tava querendo mudar a viajem de surftrip para u retiro espiritual na india e o Pedrinho tava preocupado achando que o seu corte estava infeccionando, era a oportunidade perfeita pros dois. Eu e o Adri queriamos fazer uma incursao pras mentawai e viver a indonesia mais a fundo, afinal queira o nao queira, o kisorte eh um puta bem bom com casa, comida e roupa lavada.

Para embarcar no Printis custa apenas seis dolares e com o acrescimo de mais quatro e possivel alugar a cabine da tripulacao com quatro camas. Perfeito para eu, Adri, Edu e Pedrinho.

Arrumamos nossas coisas rapidinho. Eu deixei praticamente tudo em Pasti e levei comigo apenas uma mochila com quatro camisetas e tres bermudas alem de aparato de higiene pessoal. Eu e o Adri levamos duas pranchas cada na mesma capa, tornando o transporte muito mais facil em apenas um volume. Quatro da tarde saimos caminhando e atravessamos a ilha com a ilustre companhia da Awas que nos escoltou com graca e energia e de um grupo de macacos que nos encararam e deramam alguns grunhidos que nos deixaram um pouco tensos. Deu tudo certo. Depois de uma hora de caminhada chegamos no exato momento que o Printis se preparava para deixar o porto, foi o tempo de embarcarmos e ele partiu em direcao ao horizonte.

O Edu, que fala indonesiano, agilizou nossa cabine que apesar de nojenta nos abrigou e pudemos dormir tranquilos com a nossa bagagem.

A viajem foi muito legal, ficamos a maior parte do tempo na varanda ao lado da cabine do comandante e batendo muito papo assistimo o sol se por e dar lugar a uma infinidade de estrelas, planetas e muitas estrelas cadentes. Puta astral!

Ainda rolou um rango que o Edu agilizou depois de passar um chaveco no cozinheiro que adorou o estilo "rooteza" do nosso experience surf guide. Edu arrebentando coracoes!

Dormimos meio mal pelo cheiro das roupas de cama e do travesseiros queram foda, mas pelomenos dormimos seguros e acordamos ja perto do destino final, que pra nossa surpresa nao era Padang! Tivemos que desembarcar em Painang, que apesar de ter o nome parecido fica duas horas de carro de la. Com lagrimas nos olhos o cozinheiro viu o Edu falar com todo mundo no porto e agilizar uma especie de taxi-van que nos levou pra o nosso destino.

Os pais do Mario esqueceram os passaportes brasileiros no Kisorte (eles usaram os italianos) e quase nao deu tempo de entregarmos para eles, mas o Martin estava em Padang para buscar sua namorada que estava chegando da Australia e deixamos o Edu com ele para que a encomenda pudesse ser entregue enquanto nos iamos para o Spice, um hostel bem bacana.

Dormimos muito bem aqui e pudemos agilizar nossas coisas hoje, segunda feira. Enquanto o Pedro e o Edu foram para o hospital fazer seus exames eu e o Adriano compramos a passagem do ferry boat para Siberut, nas Mentawai por apenas quinze dolares. Quando voltamos para o hostel encontramos o Pedrinho preocupado com seu corte que nao foi examinado e ele decidiu partir pra Jakarta pra ver isso melhor. Com tristeza fizemos mais uma despedida, mas espero que role de ele ir nos encontrar por la. Depois chegou o Edu com uma boa noticia, fez o raio X e viu que foi apenas uma pancada. Pesando o fato de que pra ir pra India ele teria que gastar uma nota e conosco nao ia gastar praticamente nada ele resolveu ir conosco. Alegria, afinal alem de um cara nota 10 ele ja conhece tudo por la e tenho certeza que vai ajudar, e muito, pra que de tudo certo possamos estar sempre no lugar certo e na hora certa.

A ma noticia pros meus queridos leitores e que eu vou ficar 15 dias sem computador ou internet, portando a provabilidade de o blog sofrer uma pausa nos trabalhos e de quase 100%.

Com certeza dias inesqueciveis me aguardam pela frente e a disposicao e a companhia nao podiam ser melhores. Prometo anotar tudo no meu caderninho e na volta passo tudo pro blog que promete voltar denso.

Ate logo...

quinta-feira, 10 de junho de 2010





Então vamo lá, respondendo aos comentários do último post!

1. Sim, veremos a copa aqui. Tem tv de plasma! O problema é que os jogos vão ser de madrugada prá nós aqui no lado oriental do globo. Mas tudo bem. Outro problema é que eu fiquei sabendo que o Andres Sanches faz parte da delegação....procede essa informação? Se sim vai ser difícil torcer pro meu prório país!!

2. Bruninho, saiba que as informações contidas nesse blog são pra vc também. Também to com saudades do clã da SL (abreviado é melhor). Acho irado abrir o blog e ler os comentários da galera e fico feliz com a sua assiduidade. Abração zirma!

3. Lê, vc sabe que vc é o meu escritor preferido! Queria ver vc botando pra baixo aqui no velho estilo Crazylek....mesmo sabendo que ia puxar o bico nas maiores, mas não tem problema pq elas são minhas mesmo!!

4. Po, no Brasil todomundo falava que eu tava gordo, agora que eu emagreci tão falando que to desnutrido?!?! Decidam-se! Diferente do Nordeste, que eu realmente me alimentei mal, aqui eu to comendo bem e bastante, só to perdendo a bagagem extra mesmo (ainda bem). Mesmo assim obrigado pela preocupação!

Agora vamo pros acontecimentos, afinal o Blog é pra isso!

Ontem fechei o questionário das entrevistas do Mario, do Paulo e dos nativos. Com muito pesar descobri que o microfone que eu trouxe simplesmente parou de funcionar! Eu testei ele antes da viajem mas agora ele me deixou na mão!! Não sei se ele não é compatível com o Bitchtek...sei lá, só sei que fiquei puto. Sorte que o Edu, como um bom VIDEO MAKER trouxe o da câmera dele. Não é aquele microfone perfeito pra ocasião, mas é beeeeeem melhor do que o som captado pela 5D. Ele vai me limitar em alguns aspectos, por exemplo vou ter que filmar bem de perto pois o cabo é curtinho (ele entra direto na camera sem o bitchtek) e não é um direcional "agudo", ele capta um pouco do som ambiente que tem um ruído constante do barulho do mar (o mesmo barulho que é tão bom em todos os outros momentos).

As ondas cresceram considerávelmente! O problema foi que a lei de Murphy entrou em ação e eu sofri uma leve contusão que me deixou fora de combate por hoje, nada sério, um pequeno corte que amanhã já estará bom. O lado positivo foi que eu fiz altas imagens de surf! Perfeito pra ilustrar o vidão do Mario e do Paulé.

O gerador ontem parou de funcionar denovo e o Yahowu's fez uma apresentação mais light, com um repertório mais intimista....bãããão tamém!

O Dudo continua fervendo depois do jantar e as coisas continuam de vento em popa.

Nada como um dia após o outro....

PS: Eu já tinha fechado a edição do blog de hoje quando resolvi tirar a foto do céu sem lua, como o Renato tinha sugerido, e aproveitei pra tirar do rstaurente, onde a TV enstá instalada no terceiro andar. Na volta a partida de Dudo tinha terminado e um novo campeão entrou pro hall da fama do Kisorte: A revelação Mario Sênior.....eu avisei que ele ia dar trabalho!!

terça-feira, 8 de junho de 2010





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Gostei das desculpas do pôker "live"...hahaha. Quando eu voltar vou apresentar o Dudo pra vocês.

A camisa é aquela do Luis Fabiano mesmo, nada mais justo que usar a lembrança dessa trip/trampo histórica pra minha vida e pro meu currículo!

O São Paulo F. C. ganhou do São Paulo "B" com gols do Dagol, boa notícia. O Hugo surpreendeu, fica a pergunta: Por que ele saíu então, logo quando ele tava jogando bem....vai entender.

As fotos de surf são todas de mim (olha o Walter Ego!), afinal o blog é meu e se eu for postar de todo mundo vai dar briga aqui entre os outros Walters. Lembrando que todas as fotos de surf foram tiradas pelo Borghi, fora a penúltima que foi a Joyce.

Quanto ao Cristian...tio, el cutillo alreves es una tradición en Brasil, sinal de buena suerte!

Obrigado pelas mensagens de parabéns, tanto via blog como via email. Um pouco de cada um de vocês está comigo aqui com certeza.

Vamos ao Post,

Os três guests foram embora hoje e aproveitamos pra tirar uma foto de todo mundo. Os caras são gente fina, mas o lado bom é que o pico fica só pra nós. O crowd agora é apenas eu, Adriano, Mario, Edu, Pedrinho (foto careta), Paulé, Nardelli e, quando não está fotografando, Borghi, para tres picos só aqui em frente. Apenas amigos...nada melhor.

Ontem surfamos mais um dia considerado sem onda, um metro tubular e abrindo.

Hoje foi a mesma coisa, um metrinho que eu dividi apenas com o Pedrinho e com o Adriano que logo já mudou de pico. Séries de duas ondas em duas pessoas, ótimo pra "estudar".

Ontem a noite o gerador não funcionou e ficamos totalmente sem luz. Se não fosse o Pedrinho trazer dois jogos de corda de violão novos talvez teria sido meio tedioso, mas não foi. A banda Yahowo's entrou em ação mais uma vez com um vasto repertório que animava na mesma proporção que o freezer esvaziava e as garrafas de Bintang secavam. Quando o som som acabou e a galera começou a se recolher exaustos, olhamos no relógio e, surpresos, constatamos que eram apenas 22h! Parecia 1h ou mais.

Hoje cinco coqueiros foram derrubados e eu fiz altas imagens que vão cair como uma luva no documentário. Impressionante a prática dos "orelhas secas" nessa arte, uma precisão cirúrgica no posicionamento do corte somado com a tensão da corda que puxava os coqueiros na direção exata, sem cair em cima de outro coqueiro ou da estrutura de cimento e coral que já estava pronta esperando os alicerces do novo bungalow (vide foto!). De quebra ainda tirei umas fotos bem legais dos nativos.

Percebi que durante o trabalho e com o passar das horas eles se acostumam com a presença da câmera. Talvéz se eu insistir em aparecer na vila várias vezes eles possam passar mais naturalidade e eu consiga as imagens de dia a dia que eu quero. Foda é ter que sair daqui várias vezes..hehe.

Hoje o gerador colaborou e pudemos atualizar o emails e o blog, vamos ver o que o futuro reserva pra nós...

Yahowu's

domingo, 6 de junho de 2010







Promessa é dívida. Vamos ao aniversário.

Além do ótimo surf rolou uma festinha com direito até a bolo de chocolate. Não sei se o pessoal estava feliz pelo nosso aniversário ou pelo bolo, acho que pelo bolo! Mas pelomenos estava todo mundo feliz.

Depois de algumas bintangs rolou mais uma apresenteção da banda Yahowu's. Um novo integrante mostrou serviço, Edu, que mandou um Roling Stones, Dead Flowers, com tanta categoria que estourou mais uma corda (dessa vez foi o La). O violão ficou agora com quatro cordas apenas (Mi, Ré, Sol e Si), e o som acabou.

Isso não foi nada para o casal que é a principal platéia da banda (Borghi e Joyce), eles continuaram dancando e animando a festa. Não foi nada também para o animado Adriano que continou batucando na panela enquanto eu tentava fazer uma gambiarra para o violão voltar a soar. Sem sucesso.

Na manhã seguinte já comentei que teve altas e no fim de tarde Idem.

Ontem chegou mais um integrante pro Kisorte, Pedrinho (Denarc), com sua risada característica já pegou um fim de tarde rotineiro por aqui: Um metro abrindo sem crowd.

De noite um animado "Dudo" esquentou os ânimos da galera. Dudo é um jogo de dados já virou vício não só dos residentes e do Staff como também no Mario sênior, que devido as suas habilidades no Pôker já desafia os mais experientes (experientes no jogo, claro).

Hoje eu tirei o dia para descansar os braços cansados, afinal fazem 16 dias que eu surfo todo dia, e aproveitei para fazer um passeio pela ilha. Fui eu o Edu, Mi (esposa do Mariozinho) e a Awas para uma praia que tem aqui perto a uns 15 minutos caminhando. Um pequeno paraíso de areia e um monte de corais que formam algumas piscinas naturais. As meninas (Mi e Awas) tomaram um banho de mar enquanto eu e o Edu escalamos os corais, as árvores e nos deslumbramos com a vegetação do local, relmente um lugar lindo.

Esse "day off" veio bem a calhar já que uma grande ondulação se aproxima novamente da ilha e o surf promete no decorrer da semana. Imagens de onda também vem por aí para ilustrar o documentário.

Já fiz a lista de perguntas que vou fazer para os locais e já devo fazer uma entrevista já esses dias com o chefe da vila. Quero fazer com ele, com um cara que é uma espécie de sub-chefe e um tiozinho gente boa, além deles com uma senhora e com uma criança. Depois dessas entrevistas vou ter um trabalhão, já que eu não falo o idioma local vou ter que legendar, com o auxílio do Mario e do Paulé, todo o material bruto para poder escolher o que vou usar na edição final (que vai acontecer no Brasil).

Agora nos preparamos para jantar e já começa a se organizar mais uma rodada de Dudo. Eu já vou me preparar pra dormir cedo pra aproveitar o dia, que é o que interessa realmente.

Boa noite.

sexta-feira, 4 de junho de 2010



Hoje um post rápido, bem resumido. Amanhã faço um mais detalhado.

Ontem e hoje os dias foram 100% surf!

As ondas entraram e as atenções, como não podia ser diferente, foram todas voltadas pra esse esporte que, na minha opinião, é o melhor do mundo. Nenhum outro faz agente se sentir tão feliz e tão adrenalizado como esse, principalmente em ondas tão boas.

Realmente alguns dias surfando uma onda tão forte e perfeita fazem agente evoluir muito mais rápido do que nas ondas incertas do Brasil.

Longe de mim reclamar das nossas queridas ondas brasileiras que, afinal de contas, me fizeram me apaixonar por esse esporte. Mas pra quem mora em São Paulo é difícil manter um ritmo forte. É mais difícil encontrar as condições ideais e quando coincide de estar na praia na hora certa elas vão embora muito rápido e a espera recomeça quando a gente está se soltando.

Nessa minha primeira quinzena posso dizer que surfei ondas de qualidade todos os dias e a confiança vai crescendo demais. Isso não tem preço.

Ontem surfei um pouco em Pasti e estava irado, séries de muita qualidade entraram fazendo a nossa alegria. O problema pra mim que não estou em plena forma foi a correnteza que obriga a ficar remando sem parar, caso contrário não da pra surfar fora do pico.

Movido por essa "preguiça" remei pra Nagas atráz de ondas maiores, sem correnteza e sem ninguém. Lá surfei sozinho e, modéstia a parte, me joguei nas maiores que vieram e consegui uns drops (e muitas vacas) em ondas que muito marmanjo nem pensaria em remar.

Hoje errei e não ouvi o chamado do Oráculo bem cedo (eu tava cansado pra caramba) e continuei dormindo. Masmo atrasado ainda deu tempo de ver que o mar amanheceu clássico. Altas ondas e muitos tubos foram surfados nas direitas de Lobang. Cheguei um pouco antes da maré encher e consegui pegar algumas ondas memoráveis. Uma delas me rendeu o segundo tubo viagem, que por coincidencia foi denvo na frente do Adriano que estava entrando no mar.

Eu só consegui me acertar depois da segunda troca de prancha. Primeiro entrei com a minha 6'3 do dia a dia e só lembrei que estava sem uma quilha no outside! Ontem quebrei uma delas na última onda e na ansia de entrar logo nesse mar de sonho que estava hoje me esqueci completamente. Remei em duas bombas mas não consegui completar, a prancha parecia ensaboada. O Mario, que já tinha perdido a conta de quantos tubos tinha pego, trocou de prancha comigo e saiu com a minha. Fiquei lá com a sua 5'6 com bastante borda e com isso em vez de duas quilhas fiquei com uma de cinco. Não me dei bem de novo. Depois foi a vez do Edu me emprestar a dele, uma 6'6 e aí sim consegui me encontrar. Na primeira já fiz um tubo, não tão fundo quanto meu primeiro, mas foi bem bom também.

Depois dessa dádiva peguei mais algumas mas andei muito adiantado e não fiz outro.

Quando a maré encheu saí para me preparar para a maré vazante. Depois da digestão do almoço me preparei e fui entrar no mar, mas uma baita chuva apareceu acabando com as condições do dia e adiando pra amanhã essa sessão que prometia.

Como está muito tarde da noite agora tive escrever rápido esse post e conto o decorrer do dia do aniversário melhor.

Amanhã tem mais surf pela manhã e não quero cometer o mesmo erro!!

Um abraço pra todos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010







Caros leitores,

esse post com certeza vai ser o mais longo de todos até agora. Hoje é o mais difícil de todos sem dúvida alguma, não só por ter acontecido muitas coisas, mas pela variedade realmente muito grande de acontecimentos. Mas lá vou eu tentar. Vou contar pela ordem cronológica.

Primeiro o sonho.

Eu tenho sonhado muito aqui, muito e profundamente. Tão profundo que nem parece sonho. O de hoje, ufa, não foi pesadelo. Foi estranho mas não foi pesadelo, então eu acordei bem mais leve do que ontem. Acordei bem mais cedo também.

Durante o café da manhã já era possível perceber que as ondas tinham crescido. Enquanto digeria o café fiz uma reunião com Edu sobre a pauta do documentário e agora posso dizer com certeza que já tenho o tema bem definido, o que facilita bastante o decorrer do trabalho. Não vou dizer aqui por que não acho interessante que todo mundo saiba, pelomenos por enquanto. O que interessa é que eu to bem feliz com esse passo.

Um barco grande ancorou aqui na frente trazendo vários australianos, o que não é interessante para nós porque isso, somado com a gente, forma um crowd. E justamante agora que as ondas entraram.

O barco com Paulé, Nardelli, Borghi, Joyce e os tres novos guests partiu em direção as esquerdas de Bagas. Aliás, os tres novos guests realmente são muito gente boa (e não digo isso porque eles vão ler o blog, mas porque eles provaram ter realmente o espirito do surf, com bom humor inclusive nas horas difíceis. E olha que já tiveram momentos difíceis). Eu, Adriano, Mario, Martin e Edu, resolvemos ficar para surfar aqui em Pasti.

Olhando o mar pelo binóculo enquanto esperva o melhor momento pra entrar, vi o Adriano pegar um belo tubo sozinho em Lombag. A essa altura o crowd já enchia Pasti e eu não pensei duas vezes.....fui fazer companhia pro Adriano.

Entrando no mar vi ele pegando mais dois na mesma onda! Tava bom mesmo. Cheguei lá e fui muito bem recebido com um sorriso de orelha a orelha, claro! Surfamos lá sozinhos por uma hora e meia pegando uma atraz da outra. Tive um bom momento dropando uma bomba e colocando pra dentro, andei bastante dentro e fui engolido por ele no fim, não saí, mas arranquei gritos do Martin que via tudo de Pasti.

Particularmente estou me sentindo muito bem com bastante confiança. Parece que eu reencontrei um Daniel que eu não via a muito tempo. A prancha está respondendo muito bem as minhas necessidades, a remada vai melhorando a cada dia e acho que eu peguei a manha da linha da onda para tubo. Espero que venham muitos ainda pela frente.

O vento virou e eu e o Adriano remamos para Pasti para pegar umas ondas mais longas, já que Lobang é só o tubo. Lá tinham sobrado apenas dois gringos, eu cheguei comprimentando e o que surfava melhor empinou o nariz. Eu que já não estava lá muito feliz com a idéia de surfar com crowd já taxei ele de folgado.

Depois de surfar ficamos aqui no Kisorte tirando fotos do Tupai, agora no côco, esperando o almoço e a hora de surfar denovo.

Enquanto isso o Mario tentava resolver problemas relacionados a próxima leva dos matimentos, que deu problema e não aconteceu. Estaremos, por enquanto, a base de peixe e o que resta de arroz e feijão na dispensa, além claro, da cerveja que tem de sobra. Sorte que outro peixe-dinossáuro foi pescado e tazido agora durante o dia (não, não foi pescado pelo Adriano!).

O barco ainda não chegou. Nada de mais, afinal era visível que tinham altas ondas lá em Bagas.

O vento Parou, o crowd saíu e as ondas cresceram mais ainda. Altos tubos rolando aqui na frente. Bora pra água!

Resolvemos botar as pranchas maiores na água, eu peguei minha 6'6 e comecei a prepará-la. Põe quilha, passa parafina, põe lash, etc. O Mario já tinha envovido seu pé machucado com silver tape quando ele olha pro mar e fica sério.

" Deu merda. O barquinho dos gringos está muito cheio, parece a nossa galera junto. Fudeu, afudou o barco!"

Não deu outra. Eles estavam surfando quando o mar cresceu considerávelmente e entrou uma série que virou o barco e o mandou direto pro fundo!

O Ama Wita, que pilotava o barco e no momento os esperava ancorado, não sabe nadar e a Joyce também estava a bordo e não é surfista, não tem tanta intimidade com o mar, principalmente com as ondas que quebravam . Desesperados o Paulé os resgatou e com a ajuda dos guests e do nardelli salvaram o assustado nativo enquanto borghi auxiliava sua namorada, deixando a deriva o equipamento que é sua fonte de renda. Sorte que o case (Pelicam) que estava a máquina e as lentes cumpriu seu papel e não deixou entrar água. O equipo foi resgatado por um dos guests.

Todos chegaram muito assustados em terra contando o que tinha acontecido e concluindo: Tem que resgatar o barco!

Lá fomos nós resgata-lo.

Eu não tinha nem idéia como íamos fazer essa missão, mas fui escalado e fui junto munido de pé de pato e masara de mergulho. Nadamos até a lancha dos gringos que foram nos ajudar na missão. Quem estava lá? O gringo folgado.

Fomos até o pico procurar o barco que já tinha emergido de ponta cabeça, o que facilitou a localização. Fomos pra água e o amarramos na lancha para levá-lo pra lonje de qualquer possibilidade de sermos surpreendidos por alguma série perdida, que nesse momento já alcançava os seus 8 pés (diga-se de passagem lindas ondas quebravam nesse momento sozinhas e azuis, abrindo demais, quilométricas).

Uma vez a salvo começamos a operação motor. O motor do barco é de 40 HP's, não é o mais pesado mas também não é propriamente leve. O amarramos a uma corda e o puxamos pra dentro da lancha. Até aí tranquilo, mas como iríamos rebocar o casco? Surgiu então a idéia, que até agora não sei de quem foi. Amarramos o casco a lancha, o viramos de cabeça pra cima e puxamos, assim a água sai, pelomenos uma boa parte, de dentro do casco e ele pode boiar. Sucesso. Com o Mario se equilibrando no casco inundado puxamos e mais da metade saíu pela parte de tráz. O resto era só tirar no baldinho.

Enquanto o Mario e o Nagas ficaram nessa função fomos até a praia para resgatar o Edu e o Adriano que tinham nadado até lá atras do tanque de gasolina. Os resgatamos e voltamos são e salvos aqui pra frente. A operação foi um sucesso!!

Alguns detalhes: O gringo folgado se mostrou importantíssimo pra missão e mais impressionante, ele foi gente fina pra caramba. Ele é o capitão do barco e voltamos brindando com bintangs geladas que brotavam da geladeira da lancha.

Outro detalhe foi o cenário do resgate. A água lá na ilha que abriga Bagas é incrivelmente clara e através dos óculos de mergulho era possível ver uma variedede de peixes e corias de todas as cores, formas e tamanhos que deixaria qualquer mergulhador hipinotizado. A praia onde o Adriano e o Edu nos esperaravam parece que é maravilhosa também. Os cenários aqui são incríves.

O clima aqui no SV tinha tudo pra se tornal hostil. Com os nervos a flor da pele, quem viveu o acidente e quem foi fazer o resgate tinham visões bem diferentes do assunto e uma faísca podia provocar um incendio, mas isso não aconteceu.

O Mario ficou consertando o motor amarrado ao barco dos gringos e eu fui direto surfar. Não que eu tivesse qualquer problema com quem estava no barco na hora do acidente, muito pelo contrário, mas eu não queria ficar ali assistindo e ouvindo pontos de vista. Mais forte que isso era a minha fissura de me jogar nas bombas que a essa altura quebravam sozinhas aqui em Pasti. Peguei minha 6'6, já prontinha, e fui.

A prancha foi um fracasso, não me dei bem com ela. Claro que o problema provavelmente é a pecinha que fica em cima dela, eu, mas o fato é que eu to com muito mais confiança na minha 6'3 que tem muito mais borda, o que facilita muito a minha entrada na onda. Depois de tres vacas finalmente consegui pegar uma para ir trocar o equipamento. A essa altura já havia um certo crowd na água, mas só de amigos.

Troquei a prancha e voltei pra água. Enquanto esperava uma série o Mario passou com o barco acelerando. Além do casco intacto ele havia consertado o motor....incrível!

O problema que me incomodava agora era a forte correnteza que empurrava para fora do pico, nos obrigando a se manter remando sem parar, minando o folego e atrapalhando a performance na hora de remar para entrar na onda. Nessa hora o drop estava bem difícil, cavadíssimo, fazendo dessa remada de explosão um artifício primordial. Mesmo assim consegui salvar umas boas ondas até o meu braço acabar completamente.

Nessa hora o Mario entrou no mar para desfrutar, finalmente, do fim de tarde. O drop tava cada vez mais sinistro e quando só estava eu e ele no mar eu presenciei uma aula de tubo do Oráculo. Depois de completar um drop impossível, já dentro do tubo, ele passou a sessão e, com o corpo reto, botou pra dentro na segunda sessão (também conhecida como segundá) com estilo, sumindo e reaparecendo para completar o segundo canudo na mesma onda. Realmente esses quatro anos pegando esses tubos fizeam o moleque realmente dominar a arte de entubar, foi praticamente uma aula particular. Tive que tirar o chapéu!

Fiquei muito feliz com o que eu vi na hora do jantar. Não só o arroz e feijão com uma farofa brasileira, mas o clima era realmente muito bom. Todos contando seus perrengues e uns entendendo os pontos de vista dos outros com bastante bom humor, o que costuma ser característico aqui do Kisorte.

Depois de muitas lições aprendidas vamos esperar dar meia noite para comemorar o aniversário do Adriano e meu. Falta meia hora aqui e nove horas e meia no Brasil, essa vai ser o niver mais longo de todos, um aniversário de 34 horas, já que enquanto é meu aniversário pra mim e pros meus pais, é aniversário!

Provavelmente devo ter esquecido algum detalhe, mas acho que ninguém tem mais paciência pra continuar lendo este longo relato e tenho que começar as comemorações.

Quando o dia nascer vão ter altas ondas.

Como a vida é boa!

terça-feira, 1 de junho de 2010







Hoje acordei cansado.

Parece brincadeira, mas eu tive um sonho agitado! Sonhei que tava trabalhando (!!!) e nada dava certo, foi foda.

Mas depois do pesadelo vem o sonho e eu nem imaginava o que me aguardava.

Depois do café da manhã (nem tão manhã assim) fomos surfar aqui em frente, PASTI. Aquelas ondas da previsão não vieram com tanta força assim, mas as condições foram as de sempre. Um metro (hj com series um pouco maiores) abrindo. O vento era quase nulo, deixando o mar liso, quase um espelho. Eu perdi dois tubos por fazer a linha errada da onda, fazendo a cavada muito aberta, o que dificultava a colocação mais a frente. Voltando pro outside conversei com o Edu que me deu o toque: "Dropa mais colado na parede e mantem a linha alta." Na onda seguinte não deu outra!

Dropei colado na parede e a primeira sessão passou rodando um pouco atráz e eu mative a linha no alto. Dei uma consertadinha na prancha e só esperei ela rodar. Ela rodou. La de dentro respirei fundo e mantive a calma esperando pelo melhor......TUBASSO!!! Meu primeiro em Pasti. Saindo seco pela porta da frente...

Entrando no mar estava Adriano que presenciou tudo de camarote, gritou e comemorou comigo......momento inesquecível!

A queda só não foi perfeita porque o Oráculo (Mario) tava com a zica, e encaixando em um canudo pisou na base da Go Pro e lhe rendeu um corte, fundo, na sola do pé. Não satisfeito ele voltou pro outside e tentou de novo. A quilha quebrou. A quilha da prancha nova, e era a primeira queda do foguete. Uma pena!

Continuamos acompanhando a previsão do computador do SV.

Depois da queda chegarma mais tres guest que vão ficar uma semana aqui no Kisorte. Parecem gente boa e deram azar ao surfar no fim de tarde, quando o vento estragou as ondas.

O Paulé e o Mario instruiram seus funcionários, apelidados carinhosamente de orelhas secas, para a construção de um novo bungalow. Demarcaram o território e amanhã já começa a obra. Eles vão derrubar quatro coqueiros para abrir espaço e aproveitar a madeira e as folhas no próprio bungalow.

Para derrubar os coqueiros eles tem que desembolsar 1.500.000,00 (um milhão e meio) de rupias, o que equivale a U$ 150,00. O detalhe é que na construção do primeiro bungalow cada coqueiro custava U$ 10,00 e como a obra rendeu uma casa de tres andares eles resolveram inflacionar. Isso se dá porque eles alugaram a terra, mas os coqueiros ainda pertencem aos nativos, já que é deles que eles tiram sua renda. Pelomenos era, antes do SV.

Essa obra vai me render ótimas imagens para o nosso querido documentário!

Finalizando a noite o nosso cooker Martin fez um delicioso bolo de banana. Outro detalhe é que a cada cacho de banana também é pago um imposto, cobrado dessa vez por um simpático local. o Tupai (flagrado na foto acima).

E é assim, no melhor astral possível que o dia terminou.

Por hoje é só pessoal.