E lá vamos nós para mais uma postagem. A cobrança tá grande por todos os lados....tá virando responsa!
Ontem eu fui pela primeira vez na vila dos locais, que já abitavam a ilha antes da colonização SV (Surfing Village). A primeira impressão foi bem positiva, recepção calorosa por parte dos caras que trabalham no SV e principalmente das crianças, que ficam alvoroçadas com a presença da câmera.
Esse alvoroço pode ser um aspecto negativo pra quem quer filmar o dia a dia da vila. Mais um desafio que eu vou ter que resolver. Mais um assunto pra pensar. Realmente o "aproach" nos nativos vai ser um desafio, tentar tirar naturalidade deles vai ser foda!
Na volta eu e o Edu encontramos um garotinho tocando violão e cantando super afinado uma música local muito bonita. A harmonia e a melodia bem simples, o que combina bem com o violão velho e sem algumas cordas. Foi uma imagem bem legal e que eu pretendo aprimorar, além desse garoto existe outro nativo, o já citado Ama Wita, que toca e canta muito bem e promete ser a trilha sonora do documentário.
No fim da tarde fomos surfar nas esquerdas de Bagas, que fica na ilha em frente a que estamos. Essa onda costuma ser maior do que aqui e maior do que Mib's, além de ser protegida do vento que soprava estragando as direitas de Pasti.
Respondendo a pergunta do Bruninho em um comentário de um post anterior, Mibs foi batizada por uma cara que quase não tem peso no cenário do surf brasileiro. O Nardelli e o Mario levaram o Danilo Grillo pra surfar Bagas e na volta o Mario avistou uma esquerda linda quebrando, lógico, sem ninguém. Ele botou pilha e lá foram eles desbravar o pico. Enquanto uma série linda quebrava o Nardelli disse "Me belisca que eu to sonhando" e o Grillo já bateu o martelo, "esse é o nome da onda!"
Voltando pro SV eles contaram a descoberta pra ninguém menos que o Fábio Gouveia, despertando sua curiosidade. Na manhã seguinte, depois do café o Fabinho disse: "E aí, bora pra Mib's?". Sem entender nada perguntaram "onde?" e ele repondeu " E macho...esse nome é muito cumprido...tem que ser Mib's.". E assim foi batizado o pico...
Voltando pra nossa sessão em Bagas, não preciso nem falar. Um metrão abrindo muito, água estupidamente clara e só amigos na água. O crowd era formado, além de mim, por Paulé, Nardelli, Adriano, Edu e o Borghi, que dessa vez estava sem câmera nos dando o honra de sua companhia no outside. Lá a onda é muito longa e menos cavada, proporcionando várias manobras e levando pra bem longe. O resultado é pernas cansadas devido a extensão da onda e braços exaustos graças a longa remada de volta pro pico. Lá é bom também pra surfar sem a botinha por ser mais fundo do que a maioria dos picos, isso diminui o risco de ter que pisar nos corais e a sensação de surfar descalso denovo, como disse o Mario, é de surfar pelado.
De volta ao Kisorte, jantar, Bintangs e violão. Para acompanhar a viola cada um se virou como podia, o Mario fez um chocalho com milho dentro de um pote de vidro, o Martin improvisou um bumbo com o galão de água de 20L vazio, o Adriano fez um taborim com a tampa do ventilador e a baqueta com um Hashi e o Paulé fez de uma panela um Bongô. Formou-se então a bada Yawohu'u ssssss (pronuncia-se Iahobus). Yawohu'u é o comprimento local, equivalente ao famoso Aloha hawaiano.
Hoje o surf foi de manhã aqui mesmo em Pasti, direitas de um metro incrivelmente lisas e abrindo, só pra variar.
O vento estragou o fim de tarde. Mas quem disse que isso é problema pro nosso querido Adriano. Sem ter surfado de manhã ele enfrentou as ondas um pouco mais balançadas, e conseguiu achar boas ondas em Nagas.
Agora, no começo da noite, preparamos uma prancha para comportar a Go Pro (micro camera full HD e a prova d'água) e amanhã vamos estreá-la. Diz a previsão que amanhã as ondas crescerão consideravelmente. Que venham elas!!
Yawohu'u
